21/11/2011 – Financeirização e transformações recentes no circuito imobiliário no Brasil, às 19:30h

A onda de despejos que marcou a crise financeira mundial, iniciada em 2007, deixou bairros inteiros praticamente abandonados nos EUA. Mais de 4,5 milhões de famílias foram despejadas em poucos anos e outras saíram de suas casas por não conseguir pagar as dívidas hipotecárias. Como os despejos foram concentrados em pontos diversos do território, o efeito espiral derrubou ainda mais os preços a ponto de alguns dos imóveis não terem valor de mercado e serem anunciados à venda por 40 ou 50 dólares. Empreendimentos em obras foram interrompidos e permanecem, ainda hoje, vazios. Com a base de arrecadação atingida, prefeituras se viram com poucos recursos para dar conta dos serviços urbanos.

Ao mesmo tempo, loteamentos horizontais gigantescos começaram a ser construídos nas periferias das grandes cidades brasileiras, nas cidades médias, na fronteira entre o rural e o urbano. Uma parte desses conjuntos, batizados pelo setor de segmento econômico, repete a forma-condomínio antes insistentemente oferecida apenas ao topo da pirâmide e apresenta como “bairros novos”, supostamente planejados, empreendimentos inteiramente desenhados segundo a lógica de negócio de cada empresa. As fachadas aparentemente individualizadas, mostradas nas perspectivas de divulgação, dissolvem-se na disposição mecânica das edificações e na monotonia da paisagem reveladas nas vistas aéreas.

Por motivos diferentes, bairros devastados e novos loteamentos ou condomínios são, ambos, lugares propícios para se observar a financeirização do urbano neste início do século XXI e a nova experiência urbana que se constitui. Formas visíveis de um processo contraditório que precisa ser decifrado. A devastação de bairros e a urbanização sem cidade são manifestações de uma mesma lógica que, no entanto, desdobra-se de modos muito distintos no centro e na periferia do capitalismo.

Esse o assunto de tese de doutoramento recentemente defendida no Instituto de Economia da Unicamp, com orientação  do professor Wilson Cano.

A Casa da Cidade debaterá o assunto nesta 2a feira, 21/11 a partir das 19h30

Mariana Fix é arquiteta e urbanista formada na FAUUSP (1996), mestre em Sociologia pela Universidade de São Paulo (2004) e doutora pelo Instituto de Economia da Unicamp (2011). É professora no departamento de Design das Faculdades de Campina. Participa do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAUUSP. Publicou os livros Parceiros da exclusão e São Paulo Cidade Global: Fundamentos financeiros de uma miragem, entre outros estudos.

Anderson Kazuo Nakano é graduado em Arquitetura e Urbanismo (1995) e mestre em Estruturas Urbanas e Ambientais (2002) pela Universidade de São Paulo (FAUUSP), com especialização em gestão urbana e ambiental pelo Institute for Housing and Urban Development (IHS) de Rotterdam, Holanda (2000). Atualmente é doutorando em Demografia no Núcleo de Estudos Populacionais da Universidade de Campinas (NEPO-UNICAMP). Foi Gerente de Projetos do Ministério das Cidades (2004-2005) e técnico senior do Pólis – Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento e Gestão Urbana e Habitacional.


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